DETIDO DESAPONTADO COM O “AMIGO” JOSÉ MARIA NEVES.

O Primeiro-ministro teve repetidos encontros com “amigos” envolvidos neste processo de tráfico de droga, com “pequenas”, lagostas, percebes, ostras, “groguinhos” e negócios pelo meio. A denúncia foi feita por um dos arguidos detido em São Martinho, que refere também alegadas ligações do ministro José Maria Veiga aos negócios de Paulo Pereira e Ivone Semedo

Praia, 15 de Março 2012 – Os encontros de “amigos” repetiram-se entre a Cidade Velha, Fogo d’África, Cockpit e nas residências de José Maria Neves, no Palmarejo e na Prainha. O caso “Lancha Voadora” ganha, assim, novos contornos. É que depois da defesa de Veríssimo Pinto ter ameaçado divulgar peças processuais, onde constam nomes de “altas individualidades” deste país, por considerar que tem havido violação de segredo de justiça, aparece agora Quirino Manuel dos Santos (Naiss) – detido na Cadeia Central de São Martinho, na sequência da operação “Lancha Voadora”, em Outubro de 2011 – desapontado com a postura do Primeiro-ministro, José Maria Neves, seu “amigo de peito”, que vem sentenciá-lo, na praça pública, ainda antes da decisão judicial.

“Não esperava isso de José Maria Neves, pessoa com quem convivi várias vezes, quer em casa dele, quer em restaurantes e discotecas, como o Cockpit e tantas outras da capital do país”, lamenta Naiss o abandono e a ingratidão do seu “amigo” JMN.

De acordo com Quirino dos Santos, as últimas declarações públicas do Primeiro-ministro, em Janeiro último, à saída de uma visita que efetuava às instalações da Polícia Judiciária – em que teceu “considerações possessas” sobre os detidos na Cadeia de São Martinho, por alegado envolvimento no caso “Lancha Voadora” -, deixam-no absolutamente desapontado, já que o considerava um “amigo” de vários momentos de ócio.

TUDO BONS “AMIGOS”…

“A primeira vez que conheci José Maria Neves foi, num convívio à noite na Cidade Velha. Estava acompanhado dos seus guarda-costas. Comemos lagostas ao jantar, na companhia do nosso amigo José Júnior Gonçalves (DJoy). Eu e JMN conversámos bastante durante o jantar, perguntou-me sobre a minha origem e quem eram os meus familiares. Ele estava acompanhado de uma ‘piquena’, a quem eu fui apresentado”, conta Naiss, num discurso híbrido entre o crioulo cabo-verdiano e o neerlandez do país onde nasceu, a Holanda.

Mas o convívio, a que se refere Quirino dos Santos, não acabou nessa noite em Cidade Velha. Continuou pela noite dentro, desta feita com a visita à antiga residência do Primeiro-ministro, em Palmarejo. “De regresso à Praia, convidou-nos a conhecer a sua antiga casa, em Palmarejo, mas disse-nos que estava ali por pouco tempo, já que ia mudar, brevemente, para a sua nova residência na Prainha. Quando chegámos, fomos convidados a entrar e a tomar uma bebida. Apresentou-nos uma aguardente e acabámos, cada um, por beber um cálice. Ficámos em casa de JMN, durante algum tempo, até que ele manifestou interesse em ir para o Fogo D’África [uma espécie de pub situado em Tira Chapéu, arredores da cidade da Praia]. Mas um outro amigo estava interessado em ir ao Cockpit, ao invés de Fogo D’África. Perante a indecisão no seio de grupo, entre ir ou não ir, JMN chamou mais um guarda-costas, que se encontrava em casa, para o acompanhar ao Fogo D’África”, assevera Naiss, acrescentando que do grupo de “amigos” faziam parte Ivan – militar que faleceu recentemente na Praia -, Djoy de Zé Gonçalves, e mais duas pessoas cujo nome não se recorda.

Durante o convívio no Fogo D’África, segundo Naiss, o grupo de amigos, do qual fazia parte o chefe do Governo, dividiu-se em dois e distribuído em duas mesas. Porém, com permanentes contactos entre si.

Às tantas resolvemos ir ao Cockpit. Mas antes contactámos a gerência do estabelecimento, para saber se havia condições de segurança, já que o Primeiro-ministro pretendia visitar aquele espaço”, explica Quirino Santos.

Foi durante o convívio no Cockpit que José Maria Neves confessou a Naiss, que era amigo de Ivone Semedo – mãe de Paulo Semedo, preso na primeira operação “Lancha Voadora”, em Outubro de 2011. “No Cockpit, Zé Maria disse-me que era amigo de Dona Ivone, pois conhecia-a desde criança, em Santa Catarina. Que ficava em casa da mãe da Dona Ivone, enquanto a sua ia vender doces e rebuçados. Por isso, sugeriu-me que dissesse à Dona Ivone para preparar um prato, para irmos comer em casa dela”, afirma Naiss.

Voltaram a encontrar-se, pela segunda vez, depois de combinado – Naiss, Djoy Gonçalves e o Primeiro-ministro -, justamente, na Cidade Velha. Desta feita com a presença de portugueses e o pai do Djoy, José Gonçalves. “A segunda vez que estive com Zé Maria foi num restaurante, em Cidade Velha. Estava eu, Djoy, o pai, Zé Gonçalves, e mais uns portugueses. O Djoy chamou-o e ele foi ter connosco na Cidade Velha”, continua o recluso, sublinhando que, durante o jantar, Zé Maria falava aos portugueses das obras que construiu desde que está no Governo.

Da lista dos amigos de Naiss consta, ainda, o empresário Jorge Spencer Lima – Scapa – e o falecido Ivan. “Estivemos ainda num jantar no Cockpit, aquando da inauguração do restaurante, que deveria ser presidida por Primeiro-ministro. Nesse convívio estavam também presentes, ainda, Scapa, Ivan, eu, Djoy e o Zé Maria”, confirma Naiss, afirmando que ele e o Djoy são amigos e estavam juntos “vinte e quatro sobre vinte e quatro horas”.

O momento alto da relação entre o Primeiro-ministro e o recluso Quirino dos Santos, foi quando o chefe do Governo convidou Naiss para conhecer a sua nova residência, na Prainha. “Eu e o Djoy fomos convidados para comer umas ostras e percebes enviados da Guiné-Bissau pelo Scapa. Quando nos aproximámos da porta de entrada da residência do Zé Maria, aparece a esposa que me perguntou quem eu era, ao que lhe respondi que eu era Manuel. Retorquiu, perguntando-me se não tinha nenhum ‘nominho’, respondi que era conhecido por Naiss. Foi então que ela exclamou, de forma entusiasta: Ahahah! É bó quê Naiss!?”. Conta que depois dessa exclamação, ele e o Djoy foram acompanhados pela esposa de JMN, até ao quintal, onde decorria o convívio.

Por tudo isso e porque sabe que o PM sabe de muitas outras coisas, o recluso estranha a atitude de José Maria Neves ao proteger o seu ministro José Maria Veiga, que também construiu um grande prédio pertencente a familiares de Paulo e Ivone Semedo. Dessa construção, o ministro Veiga recebeu avultada soma em dinheiro vivo e, curiosamente, até este momento, ainda não foi ouvido no processo do caso “Lancha Voadora”, apesar de a PJ estar na posse de “documentos comprometedores”.

Recorde-se que a operação “Lancha Voadora” tornou-se pública a 8 de Outubro, quando a PJ fez a maior apreensão de droga de sempre no arquipélago: 1,5 toneladas de cocaína em elevado estado de pureza, deteve três indivíduos – que se encontram em prisão preventiva -, apreendeu milhares de euros, milhões de escudos cabo-verdianos em notas, bem como outras moedas. A Polícia Judiciária confiscou, ainda, cinco viaturas topo de gama, três jipes, duas “pick-up”, uma moto aquática e uma “moto-quatro”, além de algumas armas de guerra.

Lancha Voadora: Teixeira em liberdade mediante fiança de 10 mil contos.

O empresário José Teixeira, suspeito de lavagem de capitais no processo Lancha Voadora, acaba de sair em liberdade mediante uma caução de 10 mil contos. No entanto, fica sob Termo de Identidade e Residência e interditado de sair do país.

Lancha Voadora: Teixeira em liberdade mediante fiança de 10 mil contos

Muitas horas depois de um intenso interrogatório (ontem e hoje), o Tribunal da Comarca da Praia deixou que o conhecido empresário e dono da Editur Imobiliária, José Teixeira, saísse em liberdade pagando uma caução de 10 milhões de escudos.

O presidente do Conselho da Administração da Editur foi detido pela PJ, a pedido do Ministério Público, na passada quarta-feira, sob a acusação de fazer parte da rede que vinha lavando dinheiro da organização criminosa liderada por Paulo Pereira e que foi descoberta em Novembro do ano passado com mais de 1500kg de cocaina.

Lancha Voadora: Presidente da Editur, José Teixeira, detido.

O empresário e presidente do Conselho de Administração da Editur Imobiliária, José Teixeira, acaba de ser detido pela Policia Judiciaria, no âmbito da Operação Lancha Voadora, que investiga uma mega-rede de tráfico de droga a partir de Cabo Verde.

Lancha Voadora: Presidente da Editur, José Teixeira, detido

O empresário está a ser ouvido neste momento nas instalações da Polícia Judiciaria, que tem um prazo de 48 horas para o levar a tribunal para legalização da prisão. José Teixeira terá, supostamente, ligações com o grupo liderado por Paulo Pereira através de lavagem de capital.

Consta que a empresa ImoPraia, pertencente a família de Paulo, adquiriu o seu edifício em Achada Santo António na Editur. E com pagamento em dinheiro vivo. Além disso, Luís Ortet, mestre-de-obras que está detido em São Martinho no mesmo processo, trabalhou com José Teixeira na Editur, tendo sido durante muitos anos o seu responsável de obras.

Com a detenção de José Teixeira aumentam para oito o número de suspeitos já apanhados pela PJ no âmbito da Operação Lancha Voadora – primeiro foram Paulo, Naiss, Luís Ortet e um marinheiro de São Vicente (está sob Termo de Identidade e Residência), seguindo-se empresário Djoy Gonçalves (o tribunal aplicou-lhe como pena de coacção o TIR), o ex-presidente da Bolsa de Valores, Veríssimo Pinto, Ivone e Nichinha, respectivamente, a mãe e a irmã de Paulo Pereira, tido ate aqui como o cabecilha da rede.

Recorde-se que, esta Operação lançada pela PJ cabo-verdiana, em estreita colaboração com a polícia holandesa, começou a apreensão de mais de uma tonelada de cocaína em levado grau de pureza nos armazéns do edifício da ImoPraia, vários veículos de luxo, motos de água e uma lancha de alta velocidade, que utilizavam para o transbordo da droga oriunda da Colômbia e com destino a Europa.

 

asemanaonline.com

Advogados de Veríssimo Pinto ameaçam revelar factos que envolvem “altas entidades públicas.

Advogados de Veríssimo Pinto ameaçam revelar factos que envolvem “altas entidades públicas”

Os advogados do ex-presidente da Bolsa de Valores cabo-verdiana Veríssimo Pinto no processo “Lancha Voadora” ameaçaram pedir a divulgação de todas as peças processuais, por considerarem que tem havido violação do segredo de justiça.

Em entrevista à Rádio Nacional de Cabo Verde (RCV), citada pela Inforpress, os advogados reagiam à notícia publicada sexta-feira pela mesma agência noticiosa, onde se adiantava que o presidente do Banco Africano de Investimentos – Cabo Verde (BAI/CV) e outros dirigentes daquele banco de capitais angolanos estão suspensos, devido a alegado envolvimento em “lavagem de dinheiro”.

“No nosso entender, está a haver, neste momento, violação do segredo de justiça, violação do sigilo bancário e do dever de reserva e de discrição dos magistrados, porque a notícia tem como fonte um magistrado judicial”, sustentou José Manuel Pinto Monteiro, um dos advogados de Veríssimo Pinto.

“No nosso entender, se continuar a ser assim, a haver violação do segredo de justiça, vamos solicitar à Ordem (dos Advogados) para podermos divulgar as peças que estão disponíveis para defesa do arguido e que estão em segredo de justiça”, desafiou.

Para o advogado José Manuel Pinto Monteiro, as informações trazidas a público são “factos novos”, o que leva a concluir que querem imputar mais um crime a Veríssimo Pinto.

“Dos elementos que recebemos, nenhuma dessas informações divulgadas sexta-feira foram facultadas à defesa. Essa informação é nova, porque o despacho de legalização da prisão imputa a Veríssimo Pinto apenas um crime e agora aparece esta notícia, de que há mais um crime, que lhe vai ser imputado”, explicou.

Os advogados de Veríssimo Pinto dizem esperar que o magistrado que facultou a notícia à imprensa proceda igualmente à divulgação das informações existentes, sobretudo das ligações de “altas entidades públicas” aos arguidos do processo “Lancha Voadora” e na realização de operações semelhantes às da AutoCenter, empresa também suspeita de envolvimento na lavagem de capitais.

O advogado lembrou que a prisão preventiva de Veríssimo Pinto não se deve à existência de indícios da prática de crime de associação criminosa e disse esperar que o processo seja conduzido com “lealdade” e que os magistrados devem actuar no respeito de reserva e com a discrição exigíveis pela função, “nunca fazendo comentários sobre processos em curso”.

O caso “Lancha Voadora”, iniciado pela Polícia Judiciária (PJ) cabo-verdiana em Outubro de 2011, levou à apreensão de 1,5 toneladas de cocaína e à detenção preventiva de vários suspeitos, como o ex-presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVCV), Veríssimo Pinto, preso preventivamente a 21 de Dezembro de 2011 e que já reclamou inocência.

29-1-2012, 22:23:48 Expresso das Ilhas

Lancha Voadora: Investigações incriminam Veríssimo Pinto

As últimas investigações do caso “Lancha Voadora” que resultaram na prisão preventiva do ex-presidente da Bolsa de Valores (BVC) em Dezembro voltam a “tramar”  Veríssimo Pinto, desta vez numa operação no BAI-CV, noticiou esta manhã a Agência de Notícias Inforpress.

Lancha Voadora: Investigações incriminam Veríssimo Pinto

As informações a que a Inforpress teve acesso constam de um relatório do Banco Africano de Investimentos Cabo Verde SA (BAI-CV) datado da primeira semana de Janeiro em resposta a uma notificação da Procuradoria-Geral da República (PGR) “sobre operações realizadas por clientes arguidos em processo crime a decorrer”.

O documento reporta o depoimento de um funcionário do BAI – que não é da área comercial mas fez esta operação uma “única vez” porque estava a substituir a directora comercial ausente – perante uma equipa de cinco dirigentes nomeada pela Comissão Executiva do Banco para o apuramento das informações solicitadas pela PGR.

Nele, o bancário faz saber que, a 7 de Setembro de 2010, foi contactado pelo presidente da Bolsa de Valores, “à data Dr. Veríssimo Pinto, informando-lhe que havia um cliente interessado em subscrever obrigações”.

Comunicou o facto ao presidente da Comissão Executiva do BAICV,  David Jesse, tendo-se depois dirigido às instalações da BVC onde lhe foi entregue “um envelope contendo 140 mil euros, estando o cliente Paulo Pereira presente na sala, não tendo este feito qualquer pronunciamento”.

Aquando da entrega do envelope com tal montante, prossegue o relatório com base no referido depoimento, o ex-presidente da Bolsa solicitou que o mesmo fosse depositado na conta de Paulo Pereira, dizendo que se destinava “à subscrição de obrigações do BAI-CV”.

Como de um “valor elevado” se tratasse, o bancário afirma ter informado (via telefone) David Jesse sobre o ocorrido e que este o “instruiu” a depositar “apenas 40 mil euros” e que “o remanescente seria guardado na tesouraria central”.

O funcionário da BAI-CV admitiu ter tido alguns contactos com Veríssimo Pinto, mas diz que não tem conhecimento se este depósito “foi comunicado ao Banco de Cabo Verde” como manda a lei.

Instado porque não pediu documentos justificativos do valor em causa, respondeu que o fez, mas a resposta foi que “o cliente era emigrante, confirmado pelos documentos que constam do processo de abertura das contas”.

Segundo o documento que a Inforpress tem em mãos, a questão reside nos 100 mil euros (11.026.500$00) que, como realça o depoimento do funcionário, foi entregue ao presidente da Comissão Executiva do BAI-CV que os depositou no BAI Europa, ao abrigo de uma autorização solicitada ao banco central com a data de 20 de Setembro de 2010 e numa conta do BAI-CV que pertencia a Paulo Pereira.

As consequências deste relatório ainda não podem ser avaliadas, mas fontes do BAI-CV confirmaram que o presidente David Jesse e alguns outros dirigentes da instituição foram suspensos das suas funções.

A Inforpress apurou junto de fontes judiciais que o Banco de Cabo Verde mandou fazer uma auditoria ao BAI-CV, tendo já produzido recomendações que já foram enviadas à Procuradoria-Geral da República. Contudo, junto do Banco de Cabo Verde só foi possível confirmar que este tem estado a fazer as auditorias normalmente enquanto instituição supervisora da banca.

Para a melhor compreensão deste assunto, a Inforpress conversou com um magistrado judicial, para quem o procedimento do BAI-CV seria absolutamente normal caso tivesse feito o depósito de todo o montante na conta de Paulo Pereira, em Cabo Verde, informando a Unidade de Informação Financeira (UIF) e, posteriormente, solicitando autorização para fazer o envio de divisas estrangeiras para o BAI Europa.

Ao invés disso, apontou o magistrado, o que os documentos dizem é que esses 100.000 euros juntamente com outras divisas que saíram do país foram posteriormente depositados pelo presidente da Comissão Executiva no BAI Europa para depois serem transferidos para a conta de Paulo Pereira no BAI Cabo Verde.

No seu entender, só depois dessa transacção é que o BAI Cabo Verde dá ordem de subscrição do cliente Paulo Pereira das suas obrigações que estavam em OPV (Oferta Pública de Venda) na Bolsa de Valores.

Caso se confirmem as informações apresentadas sobre Veríssimo Pinto, admitiu o magistrado, pode não pender sobre ele apenas a suspeita de lavagem de capitais, mas também de associação criminosa com Paulo Pereira.

Assim como Veríssimo Pinto, Paulo Pereia está em prisão preventiva e é tido como o dono das mais de 1,5 toneladas de cocaína apreendidas pela Polícia Judiciária, em Outubro de 2011, para além de armas, milhares de euros e outras moedas, viaturas topo de gama, jipes, pick-up, moto de mar e moto-quatro.

Entretanto, o antigo presidente da BVC, que se encontra na cadeia de São Martinho (Praia) desde 22 de Dezembro, diz-se inocente e vítima de uma das “maiores injustiças” na história de Cabo Verde.

Em entrevista ao jornal “A Nação”, Veríssimo Pinto questionou a atitude da Polícia Judiciária e de outros agentes da Justiça porque estão a “passar informações falsas a um jornal da praça, com o objectivo de confundir a opinião pública” e afirma-se ansioso para o seu julgamento porque “quem não deve não teme”.

Veríssimo Pinto foi detido a 21 de Dezembro, no âmbito da Operação “Lancha Voadora” com mais seis pessoas e depois de buscas que a Polícia Judiciária fez às suas empresas e residências onde foram encontrados “documentos comprometedores”, que estabelecem ligações dos suspeitos à rede de tráfico de drogas e lavagem de capitais.

 

 

 

Lancha Voadora: Investigações encrencam “ainda mais” ex-presidente da BVC.

Lancha Voadora: Investigações encrencam “ainda mais” ex-presidente da BVC

As últimas investigações do caso “Lancha Voadora” que resultaram na prisão preventiva do ex-presidente da Bolsa de Valores (BVC) em Dezembro apontam Veríssimo Pinto novamente como um “próximo” de Paulo Pereira, desta vez numa operação no BAICV. As informações a que a Inforpress teve acesso constam de um relatório do Banco Africano de Investimentos Cabo Verde SA (BAICV) datado da primeira semana de Janeiro em resposta a uma notificação da Procuradoria-Geral da República (PGR) “sobre operações realizadas por clientes arguidos em processo crime a decorrer”.

O documento reporta o depoimento de um funcionário do BAI – que não é da área comercial mas fez esta operação uma “única vez” porque estava a substituir a directora comercial ausente – perante uma equipa de cinco dirigentes nomeada pela Comissão Executiva do Banco para o apuramento das informações solicitadas pela PGR.

Nele, o bancário faz saber que, a 7 de Setembro de 2010, foi contactado pelo presidente da Bolsa de Valores, “à data Dr. Veríssimo Pinto, informando-lhe que havia um cliente interessado em subscrever obrigações”.

Comunicou o presidente da Comissão Executiva do BAICV,  David Jesse, sobre o assunto, tendo-se depois dirigido às instalações da BVC onde lhe foi entregue “um envelope contendo 140 mil euros, estando o cliente Paulo Pereira presente na sala, não tendo este feito qualquer pronunciamento”.

Aquando da entrega do envelope com tal montante, prossegue o relatório com base no referido depoimento, o ex-presidente da Bolsa solicitou que o mesmo fosse depositado na conta de Paulo Pereira, dizendo que se destinava “à subscrição de obrigações do BAICV”.

Como de um “valor elevado” se tratasse, o bancário afirma ter informado (via telefone) a David Jesse sobre o ocorrido e que este o “instruiu” a depositar “apenas 40 mil euros” e que “o remanescente seria guardado na tesouraria central”.

O funcionário da BAICV admitiu ter tido alguns contactos com Veríssimo Pinto, mas diz que não tem conhecimento se este depósito “foi comunicado ao Banco de Cabo Verde” como manda a lei.

Instado porque não pediu documentos justificativos do valor em causa, respondeu que o fez sim, mas a resposta foi que “o cliente era emigrante, confirmado pelos documentos que constam do processo de abertura das contas”.

Segundo o documento que a Inforpress tem em mãos, a questão reside nos 100 mil euros (11.026.500$00) que, como realça o depoimento do funcionário, foi entregue ao presidente da Comissão Executiva do BAICV que os depositou no BAI Europa, ao abrigo de uma autorização solicitada ao banco central com a data de 20 de Setembro de 2010 e numa conta do BAICV que pertencia a Paulo Pereira.

As consequências deste relatório ainda não podem ser avaliadas, mas fontes do BAICV confirmaram que o presidente David Jesse e alguns outros dirigentes da instituição foram suspensos das suas funções.

A Inforpress apurou junto de fontes judiciais que o Banco de Cabo Verde mandou fazer uma auditoria ao BAICV, tendo já produzido recomendações que já foram enviadas à Procuradoria-Geral da República. Contudo, junto do Banco de Cabo Verde só foi possível confirmar que este tem estado a fazer as auditorias normalmente enquanto instituição supervisora da banca.

Para a melhor compreensão deste assunto, a Inforpress conversou com um magistrado judicial, para quem o procedimento do BAICV seria absolutamente normal caso tivesse feito o depósito de todo o montante na conta de Paulo Pereira, em Cabo Verde, informando a Unidade de Informação Financeira (UIF) e, posteriormente, solicitando autorização para fazer o envio de divisas estrangeiras para o BAI Europa.

Ao invés disso, apontou o magistrado, o que os documentos dizem é que esses 100.000 euros juntamente com outras divisas que saíram do país foram posteriormente depositados pelo presidente da Comissão Executiva no BAI Europa para depois serem transferidos para a conta de Paulo Pereira no BAI Cabo Verde.

No seu entender, só depois dessa transacção é que o BAI Cabo Verde dá ordem de subscrição do cliente Paulo Pereira das suas obrigações que estavam em OPV (Oferta Pública de Venda) na Bolsa de Valores.

Caso se se confirmarem as informações apresentadas sobre Veríssimo Pinto, admitiu o magistrado, pode não pender sobre ele apenas a suspeita de lavagem de capitais, mas também de associação criminosa com Paulo Pereira.

Assim como Veríssimo Pinto, Paulo Pereia está em prisão preventiva e é tido como o dono das mais de 1,5 toneladas de cocaína apreendidas pela Polícia Judiciária, em Outubro de 2011, para além de armas, milhares de euros e outras moedas, viaturas topo de gama, jipes, “pick-up”, moto de mar e “moto-quatro”.

Entretanto, o antigo presidente da BVC, que se encontra na cadeia de São Martinho (Praia) desde 22 de Dezembro, diz-se inocente e vítima de uma das “maiores injustiças” na história de Cabo Verde.

Em entrevista ao jornal “A Nação”, Veríssimo Pinto questionou a atitude da Polícia Judiciária e de outros agentes da Justiça porque estão a “passar informações falsas a um jornal da praça, com o objectivo de confundir a opinião pública” e afirma-se ansioso para o seu julgamento porque “quem não deve não teme”.

Veríssimo Pinto foi detido a 21 de Dezembro, no âmbito da Operação “Lancha Voadora” com mais seis pessoas e depois de buscas que a Polícia Judiciária fez a suas empresas e residências onde foram encontrados «documentos comprometedores», que estabelecem ligações dos suspeitos à rede de tráfico de drogas e lavagem de capitais.

 

expressodasilhas.sapo.cv

Lancha Voadora: Investigações encrencam “ainda mais” ex-presidente da BVC

27 de Janeiro de 2012, 00:02

Cidade da Praia, 27 Jan (Inforpress) – As últimas investigações do caso “Lancha Voadora” que resultaram na prisão preventiva do ex-presidente da Bolsa de Valores (BVC) em Dezembro apontam Veríssimo Pinto novamente como um “próximo” de Paulo Pereira, desta vez numa operação no BAICV.
As informações a que a Inforpress teve acesso constam de um relatório do Banco Africano de Investimentos Cabo Verde SA (BAICV) datado da primeira semana de Janeiro em resposta a uma notificação da Procuradoria-Geral da República (PGR) “sobre operações realizadas por clientes arguidos em processo crime a decorrer”.
O documento reporta o depoimento de um funcionário do BAI – que não é da área comercial mas fez esta operação uma “única vez” porque estava a substituir a directora comercial ausente – perante uma equipa de cinco dirigentes nomeada pela Comissão Executiva do Banco para o apuramento das informações solicitadas pela PGR.
Nele, o bancário faz saber que, a 7 de Setembro de 2010, foi contactado pelo presidente da Bolsa de Valores, “à data Dr. Veríssimo Pinto, informando-lhe que havia um cliente interessado em subscrever obrigações”.
Comunicou o presidente da Comissão Executiva do BAICV,  David Jesse, sobre o assunto, tendo-se depois dirigido às instalações da BVC onde lhe foi entregue “um envelope contendo 140 mil euros, estando o cliente Paulo Pereira presente na sala, não tendo este feito qualquer pronunciamento”.
Aquando da entrega do envelope com tal montante, prossegue o relatório com base no referido depoimento, o ex-presidente da Bolsa solicitou que o mesmo fosse depositado na conta de Paulo Pereira, dizendo que se destinava “à subscrição de obrigações do BAICV”.
Como de um “valor elevado” se tratasse, o bancário afirma ter informado (via telefone) a David Jesse sobre o ocorrido e que este o “instruiu” a depositar “apenas 40 mil euros” e que “o remanescente seria guardado na tesouraria central”.
O funcionário da BAICV admitiu ter tido alguns contactos com Veríssimo Pinto, mas diz que não tem conhecimento se este depósito “foi comunicado ao Banco de Cabo Verde” como manda a lei.
Instado porque não pediu documentos justificativos do valor em causa, respondeu que o fez sim, mas a resposta foi que “o cliente era emigrante, confirmado pelos documentos que constam do processo de abertura das contas”.
Segundo o documento que a Inforpress tem em mãos, a questão reside nos 100 mil euros (11.026.500$00) que, como realça o depoimento do funcionário, foi entregue ao presidente da Comissão Executiva do BAICV que os depositou no BAI Europa, ao abrigo de uma autorização solicitada ao banco central com a data de 20 de Setembro de 2010 e numa conta do BAICV que pertencia a Paulo Pereira.
As consequências deste relatório ainda não podem ser avaliadas, mas fontes do BAICV confirmaram que o presidente David Jesse e alguns outros dirigentes da instituição foram suspensos das suas funções.
A Inforpress apurou junto de fontes judiciais que o Banco de Cabo Verde mandou fazer uma auditoria ao BAICV, tendo já produzido recomendações que já foram enviadas à Procuradoria-Geral da República. Contudo, junto do Banco de Cabo Verde só foi possível confirmar que este tem estado a fazer as auditorias normalmente enquanto instituição supervisora da banca.
Para a melhor compreensão deste assunto, a Inforpress conversou com um magistrado judicial, para quem o procedimento do BAICV seria absolutamente normal caso tivesse feito o depósito de todo o montante na conta de Paulo Pereira, em Cabo Verde, informando a Unidade de Informação Financeira (UIF) e, posteriormente, solicitando autorização para fazer o envio de divisas estrangeiras para o BAI Europa.
Ao invés disso, apontou o magistrado, o que os documentos dizem é que esses 100.000 euros juntamente com outras divisas que saíram do país foram posteriormente depositados pelo presidente da Comissão Executiva no BAI Europa para depois serem transferidos para a conta de Paulo Pereira no BAI Cabo Verde.
No seu entender, só depois dessa transacção é que o BAI Cabo Verde dá ordem de subscrição do cliente Paulo Pereira das suas obrigações que estavam em OPV (Oferta Pública de Venda) na Bolsa de Valores.
Caso se se confirmarem as informações apresentadas sobre Veríssimo Pinto, admitiu o magistrado, pode não pender sobre ele apenas a suspeita de lavagem de capitais, mas também de associação criminosa com Paulo Pereira.
Assim como Veríssimo Pinto, Paulo Pereia está em prisão preventiva e é tido como o dono das mais de 1,5 toneladas de cocaína apreendidas pela Polícia Judiciária, em Outubro de 2011, para além de armas, milhares de euros e outras moedas, viaturas topo de gama, jipes, “pick-up”, moto de mar e “moto-quatro”.
Entretanto, o antigo presidente da BVC, que se encontra na cadeia de São Martinho (Praia) desde 22 de Dezembro, diz-se inocente e vítima de uma das “maiores injustiças” na história de Cabo Verde.
Em entrevista ao jornal “A Nação”, Veríssimo Pinto questionou a atitude da Polícia Judiciária e de outros agentes da Justiça porque estão a “passar informações falsas a um jornal da praça, com o objectivo de confundir a opinião pública” e afirma-se ansioso para o seu julgamento porque “quem não deve não teme”.
Veríssimo Pinto foi detido a 21 de Dezembro, no âmbito da Operação “Lancha Voadora” com mais seis pessoas e depois de buscas que a Polícia Judiciária fez a suas empresas e residências onde foram encontrados «documentos comprometedores», que estabelecem ligações dos suspeitos à rede de tráfico de drogas e lavagem de capitais.
AB Inforpress/Fim